O Sr. Pedro Ruas: V. Exa. permite um aparte? (Assentimento do orador.) Ver. Marcelo Sgarbossa, como Líder do PSOL, quero cumprimentar V. Exa. pelo pronunciamento, pela preocupação e pela sensibilidade de perceber o que realmente é importante. Acho que V. Exa. coloca justamente um tema, uma forma de visão sobre circunstâncias que ocorrem no cotidiano e que, lamentavelmente, podem nos levar, pelo menos em parte, a ser um dos – não li o livro, ainda – exemplos ruins da morte em cidades. Parabéns, porque a presença de V. Exa. neste Parlamento Municipal, com certeza, engrandece essa luta ambiental.
O SR. MARCELO SGARBOSSA: Obrigado, Vereador. Aproveito a presença do meu colega Alberto, para dizer que nesse livro, a autora diz que a segurança das cidades se dá nas calçadas. Não está aqui o Ver. Bernardino, que fala da questão da retomada das calçadas pelo Poder Público. É nas calçadas que as pessoas se sentem seguras. Portanto, fazer uma ciclovia na Rua Sete de Setembro e não abrir espaço para pedestres é jogar o pedestre contra o ciclista. Adoraria que fossem feitas ciclovias. Que bom que estão sendo feitas, mas tem que pensar no pedestre. É o que está acontecendo na Rua Sete de Setembro: as pessoas estão caminhando na ciclovia porque não há espaço para o pedestre. Não se deve culpar o pedestre se não há espaço para ele. Eu mesmo, quando caminho no Centro, se estou com pressa, ando pela rua. Pensar a cidade é pensar sob o ponto de vista das pessoas. A cidade está sendo pensada, infelizmente, para incentivar o uso do automóvel, as grandes obras da Copa, na sua maioria, são grandes obras viárias para esse fim, coisa que outras cidades do mundo afora conseguiram perceber que é um caminho totalmente equivocado. A duplicação da Av. Beira Rio já retirou um pedaço do Parque Marinha do Brasil, um espaço que antes era destinado ao lazer no final da tarde, nos finais de semana; já se perdeu um pedaço. Não seremos contrários a uma ou outra obra pontualmente.
O Sr. Cassio Trogildo: V. Exa. permite um aparte? (Assentimento do orador.) Ver. Marcelo Sgarbossa, a título de contribuição, desde já saúdo o seu pronunciamento. Na verdade, todas as obras da Copa terão ciclovias. E não foi retirado pedaço do Parque: aquilo ali já é gravame viário há muito tempo, desde a concepção do Parque.
O SR. MARCELO SGARBOSSA: Agradeço, Ver. Cassio. De qualquer forma, efetivamente, perdemos um pedaço. Hoje, onde, antes, os jovens ficavam sentados no final da tarde e aproveitavam o Parque, não é mais assim. Passará ali a duplicação da Beira-Rio. E discordamos por isso, por experiência de termos vivido em outros lugares, onde as políticas são todas de restrição ao uso do automóvel e não de incentivo. As grandes obras são só exemplos. A abertura do Largo Glênio Peres para estacionamento, justamente do que trata a Lei aqui: no final da tarde, o Glênio Peres é aberto para estacionamento de 40, 50 carros talvez, impedindo e espremendo a passagem de muitas pessoas. A abertura de ruas no Centro, por exemplo, é uma visão, com todo o respeito, equivocada de cidade, da qual nos arrependeremos muito no futuro. Então, é uma pena que estamos rumando para políticas que em outros lugares já se tornaram reconhecidamente equivocadas. Em Londres, há um pedágio para circular no centro da cidade. Em Nova York, a diretora de trânsito proibiu que se ultrapassem alguns limites com menos de três pessoas dentro do automóvel. Então, percebe-se que as políticas são de restrição e não de incentivo. Infelizmente, temos essa visão equivocada que está tomando conta da Cidade e que acaba inclusive vitimando árvores com 40 anos de idade, que podem ser replantadas como compensação, mas serão replantadas muito longe. E se perde um capital vegetal que estava ali há muitos anos e fazia parte da história da Cidade. Obrigado.
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